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DICAS

  • Fala, Sr. Cupim

    Cupim nas construções é motivo de grande preocupação e de prejuízos importantes. Madeira preservada é uma solução inteligente para evitá-lo – e a outros organismos xilófagos – com a melhor relação custo/benefício do mercado. A “entrevista” com o inseto que transcrevemos a seguir é uma forma leve que elaboramos, há algum tempo, para contar ao maior número de pessoas, e não só aos especialistas, como são e agem estes insetos ao mesmo tempo assustadores e admiráveis. Informação é o primeiro passo e a melhor forma de enfrentá-los. Por isso, começamos agora a contar de maneira ficcional algumas experiências reais com cupins, seu combate e prevenção nas construções. A receita é simples: informação séria temperada com humor.

    Conseguimos um furo com o cupim. Até aí nenhuma novidade. Tem gente que conta furos aos milhares e fica furiosa. Não importa. Nosso furo é diferente, é jornalístico. Trata-se de uma entrevista exclusiva. Nela,” a fera” – é assim mesmo que muitos o vêem depois de contabilizar prejuízos – fala de sua carreira que não é só de crimes contra o patrimônio. Fala também da família, dos amigos e até dos amores. Curta a seguir o lado afetivo deste inseto tão incompreendido quanto marginalizado.

    Você deve ser o inseto mais badalado na mídia. De onde vem tanto sucesso?

    Cupim: Fico lisonjeado, mas esse tipo de sucesso dá muita dor de cabeça. Jornalistas e paparazzi em geral me adoram. Provavelmente, por que dou muito furo. Mas a maior parte das pessoas acha mesmo que sou um monstro, sempre à espreita de um descuido nos lares para atacar. Não os condeno. Afinal, quem tem cupim tem medo!

    Mas não é assim?

    De jeito nenhum. Saiba que em todo o planeta existem cerca de duas mil espécies de cupim. Só no Brasil existem umas 250. Eu e meus parentes estamos ecologicamente integrados. Somos bons recicladores de árvores mortas nas florestas e também servimos de alimento – dos mais saborosos, por sinal – para pássaros, tamanduás e outros apreciadores da gastronomia entomológica (Entomologia é o ramo da ciência que estuda os insetos).

    Então explique essa fama de bad boy.

    Veja, dessa variedade enorme de espécies, poucas causam prejuízos ao Homem infestando suas casas, devorando móveis e livros. Vamos destacar os cupins de madeira seca e os cupins subterrâneos os mais terríveis. Outros membros do nosso clã, praticamente, apenas dividem a má fama... Aliás, o grande responsável por nossa proliferação nas cidades é o próprio Homem. Vocês provocam desequilíbrios ecológicos, eliminam nossos predadores naturais, nos oferecem alimento abundante com técnicas de construção que não prevêem tratamento de madeiras, enterram madeiras velhas no chão e ainda reclamam. Ora. (risos).

    Como eles agem?

    Os cupins de madeira seca formam seus ninhos dentro de uma única peça de madeira. Um móvel, por exemplo. Ali o casal real vai criar seus filhos, netos, bisnetos...até acabar o alimento. Já o cupim subterrâneo esconde seu ninho debaixo da terra. Daí vai criando túneis enormes por onde se deslocam os operários que vão buscar comida longe, às vezes até mais de cem metros de distância do ninho.

    E aquele pozinho fino que vocês deixam?

    Aquele pozinho é excremento. Dá para diferenciar os nossos dos da broca, um outro inseto que também come madeira. Mas não tem comparação. O pozinho bem fino, como talco, geralmente é de broca. Aquele mais granulado é, geralmente, do cupim de madeira seca. O do cupim subterrâneo mal aparece. Cupim subterrâneo recicla as próprias fezes, fazendo as paredes dos túneis por onde se deslocam. Quase não deixa pistas a não ser para quem conhece seus hábitos. Por exemplo, dentro de caixas de luz e dos interruptores, a presença de terra é tiro e queda. Tem cupim subterrâneo no pedaço.

    Cupim transmite doença?

    Se você estiver falando de saúde financeira, sim. Quanto às pessoas e animais, não. Somos bichos superlimpinhos.

    Existem cupins que comem plástico e concreto?

    Ah, isso de cupim comer concreto, plástico e até ferro é bobagem. Só comemos mesmo material celulósico. Agora, como temos mandíbulas superfortes desgastamos qualquer material que esteja entre nós e o alimento. Não somos de fazer rodeios, por isso atravessamos mesmo o obstáculo. Mas só comemos mesmo a madeira que está do outro lado.

    Querosene, óleo queimado, essas coisas te assustam?

    Fazem cócegas. Corro o risco de morrer de rir. Essas coisas podem até matar cupins por afogamento, mas os sobreviventes levam a notícia ao casal real e eles produzem irmãozinhos em ritmo acelerado para repor os que morreram.

    Então cupim conversa?!

    Não como gente, mas conversa. Por isso é que somos insetos sociais. Utilizamos um sistema hormonal – os chamados feromônios – para dizer se há muito ou pouco alimento, ataques sofridos, etc. Não adianta querer nos matar como se mata baratas ou pulgas. Se não for eliminada a central de inteligência, que é o casal real, uma nova infestação virá com toda a força. A melhor resposta é informação, madeira preservada e mais informação.

    E essas empresas que garantem acabar com cupins de uma vez, cobrando preços incríveis por metro quadrado de infestação ou por litro de produto utilizado no trabalho de desinfestação?

    Quem não me conhece muito bem não consegue sequer chegar perto. Para dar garantia sem ter visto o tamanho do estrago que fizemos, ou eles não têm mesmo noção do que estão falando, ou querem só meter a mão no bolso do freguês e sair de perto rapidinho.

    Fale da sua intimidade, a parte afetiva (risos).

    Cupins são muito discretos, sensíveis. Detestamos a luz do dia, sofremos de fotofobia. Só fazemos alarde naquelas tardes quentes e úmidas da primavera e verão, quando chega para nós a estação do amor. O cupinzeiro se mobiliza para a reprodução da espécie. É o momento da revoada dos nossos parentes alados em busca de novos amores. Românticos siriris – ou aleluias – entram pelas janelas esquecidas abertas e giram loucamente em volta das luminárias com suas luzes acesas, coisa de amantes. Nossa pele, normalmente branquinha, adquire pigmentação e resistência momentânea à luz. Achada a cara-metade, lá se vai a duplinha apaixonada se entocar, formar um novo ninho, gerar milhões de descendentes em colônias que serão maiores ou menores dependendo da disponibilidade de alimento. É o casal real que terá uma casta de operários para servi-los e soldados para defender o ninho.

    De onde vem seu nome, cupim?

    Em outros países, chamam-me de térmita, espécime dos isópteros. Quer dizer, inseto de quatro asas membranosas iguais e um poderoso aparelho bucal para mastigar. Somos do tipo social, organizado. Só no Brasil me chamam de cupim. A explicação que tenho não passa de especulação. Nos campos existem montes de terra endurecida com nossa saliva, que se assemelham aos cupins que os bois carregam no cangote. Provavelmente, eles emprestaram o nome para nosso batismo por aqui.

    Flavio Carlos Geraldo

    Vice-presidente da Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira

  • Madeira com tratamento caseiro? Nem pensar

    Em pleno século XXI, alguns especialistas ainda prescrevem fórmulas para tratamento caseiro de madeiras, especialmente para atender � s necessidades do homem do campo. A princípio, nada contra. Até porque, conceitualmente, a iniciativa tem sua lógica. Porém, na prática, a teoria muda de figura.

    Sob as condições supercontroladas de um laboratório, que funciona sob responsabilidade de profissionais altamente qualificados, como ocorre nas universidades e institutos de pesquisa, não há dúvida quanto � eficácia dos chamados “tratamentos caseiros” para preservação de madeiras. O problema começa quando esse tipo de conhecimento é transferido ao produtor rural, levando em conta apenas aspectos econômicos e logísticos imediatos. O preço da econômica pode ser ambientalmente muito alto.

    Basicamente, são veiculadas duas técnicas para tratamento caseiro. Uma delas é o chamado “banho quente/frio”. Entram em cena fatores técnicos como teor de umidade, tempo de contato com o preservativo durante o processo, tempo de imersão nos banhos quente e frio, níveis de penetração e retenção do agente. Outra técnica é a chamada “substituição de seiva”, ou transpiração radial. Nela, o ritual técnico é ainda mais complicado, exige maior rigor e atenção. Submete-se a peça de madeira � imersão parcial, logo após a colheita, completamente descascada e com remoção completa dos remanescentes do interior da casca, representada pelo “câmbio”, para facilitar a transpiração radial ou perda de umidade pelos raios da tora.

    Em qualquer dos dois casos, mas especialmente no da transpiração radial, tem-se, além da preparação da madeira, a preparação do preservativo que envolve manipulação de produtos químicos de toxicidade variável. Portanto, o banho quente/frio e a substituição de seiva têm em comum a questão crucial da segurança operacional e ambiental.

    Teoria X Prática

    Em laboratório, pode-se manter as variáveis do tratamento sob controle e em níveis ótimos. Aspectos de segurança também estão implícitos, fazem parte da rotina nesses locais. Mas no campo, em escala real, tudo fica mais difícil diante de sérios riscos de acidentes operacionais e ambientais. Para complicar ainda mais esta situação, em geral o produtor rural não está minimamente preparado para enfrentá-la.

    Todos os chamados “procedimentos caseiros” para tratamento de madeira não permitem controle adequado dos processos de formulação do preservativo nas concentrações ideais, reposição do produto nos tambores, absorção, penetração e retenção. Estes são alguns dos parâmetros fundamentais para o bom desempenho das peças tratadas. Também ficam lacunas importantes quanto aos aspectos legais e de segurança operacional / ambiental, que incluem registro junto ao Ibama, atendimento � normas para descarte de embalagens e disposição de resíduos, equipamentos de tratamento e de proteção individual ( EPIs) , entre outros. Fica evidente a distância que existe entre a teoria e a prática. Vale insistir na questão dos perigos relacionados � segurança quando manipulação de ingredientes ativos desde a sua aquisição até a preparação de soluções preservativas. Há que se estar preparado para estes procedimentos.

    O tratamento industrial da madeira em autoclave conta com a necessária retaguarda técnica. Nele, o preparo de soluções preservativas é feito em sistema fechado, sem riscos de contato com operadores ou contaminação ambiental. Quando retirada da autoclave, a madeira tratada permanece em “descanso” por tempo controlado, para que ocorram as reações de fixação do preservativo com os componentes celulósicos da madeira. No sistema vácuo/pressão em uma autoclave, todos os parâmetros são controlados: vácuo inicial, pressão, absorção, tempo, entre outros. Por isso a Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira estimula e recomenda sempre o uso de madeira tratada em autoclave, de acordo com a normatização existente no País. O Brasil dispõe de uma grande rede de usinas de tratamento de madeira associadas, que podem atender as necessidades do mercado com qualidade e a preços competitivos. Para identificar as usinas instaladas em cada região do território nacional, basta consultar o site da Associação no endereço www.abpm.com.br

    Flavio Carlos Geraldo

    Vice-Presidente da ABPM – Associação Brasileira de Preservadores de Madeira

  • A madeira e seus símbolos

    Os consumidores têm uma percepção clara de diversos materiais construtivos como concreto, cerâmica ou metais. Porém, o assunto fica mais nebuloso quando se fala de madeira.

    A percepção preconceituosa do material madeira varia da qualidade subestimada, em que muitos acreditam que só serve para barracos, até os “pseudos-ambientalistas” que defendem sem qualquer fundamento científico o uso de materiais alternativos que preservem florestas. Os dois casos refletem doses altíssimas de desinformação. São duas maneiras ingênuas de encarar a madeira, só que, no segundo caso, abre espaço para uma argumentação faaciosa da concorrência. Ora, madeira – especialmente aquela que vem de espécies de ciclo curto cultivadas em reflorestamentos – seqüestra e estoca na forma de bens duráveis o carbono da atmosfera, responsável pelo chamado efeito estufa. Além disso, é o único material construtivo 100% renovável. Madeira tratada industrialmente obedece rigorosamente � s normas técnicas, tem qualidade, desempenho e durabilidade asseguradas. Por isso madeira cultivada e tratada é matéria-prima ecológica e seu uso, ao contrário do que algumas pessoas imaginam, ajuda a diminuir a pressão sobre florestas nativas.

    Nossos tempos – Nosso ponto de partida é a constatação de que aos olhos do mercado cimento é material construtivo, assim como a cerâmica e o alumínio. Madeira, não. É muitas vezes tido como material secundário para construir barraco, queimar como lenha, fazer forma de concreto ou construir uma casa de campo. É a demonstração de que ainda falta ao país consolidar uma cultura madeireira, a despeito de toda a sua vocação florestal. Acontece que, durante muito tempo, madeira foi matéria-prima abundante e não nos demos conta do seu valor real. Agora, diante dos fatos e de uma nova consciência ambiental que nada tem a ver com “pseudo-ambientalismo”, a análise objetiva dos materiais construtivos disponíveis não deixa margem para dúvidas sobre as vantagens comparativas da madeira. De um lado, os reflorestamentos criam verdadeiros poços de carbono renováveis e de custo relativamente baixo. Por outro lado, a engenharia brasileira descobre as propriedades técnicas da madeira como a melhor relação peso/resistência. Avançou o conhecimento interdisciplinar sobre a madeira, como foco da arquitetura , engenharia, biologia e agronomia. Embora ainda lentamente, este processo fez com que a normalização avançasse também. Conscientes da relevância de fazer com que estas informações chegassem ao mercado, entidades representativas do setor investiram em comunicação. Casos exemplares são os da ABIMCI (Associação Brasileira da Industria de Madeira Processada Mecanicamente), SBS (Sociedade Brasileira de Silvicultura) e das associações tanto dos produtores, quanto dos preservadores de madeira, entre outras. Exemplo recente é o da ABIMCI, com o lançamento da cartilha intitulada “Madeira Legal”, recheada de informações ecologicamente corretas, que tem como alvo a criança, procurando sensibilizar o mercado pela base. A preocupação traduz-se em uma abordagem técnica fiel e contribui para a produção cultural voltada ao uso correto da madeira no país, desmistificando a exploração sustentada e usos inadequados. A Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira também criou um símbolo importante ao traduzir tecnicamente a importância de se aprisionar carbono numa jaula de madeira. O original foi feito em abril de 1993 e publicado na versão ainda em papel do boletim Preservação. O público-alvo é outro, mais ligado � s questões técnicas e ambientais, mas o impacto cultural da criação, guardadas as proporções, é o mesmo. Tanto que a imagem original foi recriada e colorida pelo autor nos quadrinhos de divulgação científica da série “Os Cientistas”. A tirinha, com detalhe reproduzido na ilustração, foi publicada pela Folha da Região de Araçatuba (SP) na edição de 23 de janeiro de 2004. o setor madeireiro-florestal brasileiro precisa investir consciente e de maneira crescente na criação e fortalecimento de seus próprios símbolos. No final do ano de 1993. a ABPM lançou ainda a campanha “Viva a Mata – use madeira preservada”, adotando como símbolo um simpático coala, que vive do eucalipto. Embora australiano, o bichinho tem tudo a ver com a madeira dessa espécie, cultivada e tão bem, adaptada no Brasil. A criação exclusiva para a Associação Brasileira dos Preservadores de Madeira foi da artista plástica Claudia Campos. Para que o mercado tenha uma percepção correta das vantagens da madeira preservada na construção civil – ou em outras aplicação – é fundamental que estas informações cheguem ao consumidor de madeira acessível, sem excessos técnicos. Por isso grandes fabricantes de materiais construtivos investem pesadamente em comunicação. Determinadas campanhas chegam a saturar, como no merchandising colocado em prática em novelas de grande audiência. Atentos ao mercado, em sintonia fina com nossa época, procuramos fazer nossa parte levando informação de qualidade ao mercado e apostando em novos símbolos que tornem a informação sobre madeira ainda mais acessível. Só seremos encarados como um setor produtivo coeso, do plantio � colheita e � industrialização, a partir do momento em que consseguimos sensibilizar o mercado.

    Flávio Carlos Geraldo

    Vice-Presidente da ABPM – Associação Brasileira de Preservadores de Madeira

    FONTE: Revista REFERÊNCIA MADEIRA – A revista do setor madeireiro; Ano VII; Nº 41; janeiro/fevereiro 2005; página 64.

  • Pisos e decks de madeira são clássicos na arquitetura

    Originalmente utilizados na navegação, os versáteis decks ganham espaço nas residências, sobretudo em jardins e ambientes com piscinas e sauna.

    Historicamente, os decks de madeira estão relacionados a navegação, utilizados em navios e marinas. Mas, o toque rústico da madeira, mesmo diante dos materiais mais modernos disponíveis no mercado, ganha destaque em terraços, escadas e jardins.

    Os decks podem ser a melhor solução para viabilizar diferentes idéias nos ambientes externos. Utilizando a madeira, e possível combinar o revestimento do piso, com jardineiras, bancos, mesas, cadeiras e outros. Alem disso, possibilita a sensação de contato com a natureza. Alem de combinar vários tipos de madeira, os arquitetos que utilizam decks defendem a liberdade de mesclar pisos, afim de realçar os efeitos das madeiras.

    Alem da estética, uma grande vantagem dos decks e o fato de serem impermeáveis. Após uma chuva, não precisam de limpeza. Conforme afirma o projetista e consultor Giacomo Alsieri, o deck pode ser comparado a “um grande ralo”. Um deck perto do solo, só necessita de pedriscos ou uma camada qualquer de drenagem sob a madeira. Se estiver em um lugar alto, basta sustentá-lo com uma estrutura de pilares, apoiada em uma fundação. No caso de haver construções sob o deck, uma laje deve ser feita para sustentar o material de drenagem e uma canaleta de esgotamento.

    Em qualquer um dos casos, o especialista afirma ser um excelente meio para a preservação da natureza. “Por conta dos decks, em geral sustentados por estruturas pontuais (como as pilastras), o solo praticamente não sofre alterações”, justifica. Alem disso, contribui com a proteção da vegetação nativa, uma vez que podem ter fendas para que o tronco de uma arvore centenária, por exemplo, escape com sua copa para o alto.

    Em meio a tantas vantagens, entretanto, não seria correto afirmar que os decks de madeira esquentam mais ou menos que as pedras. Conforme explica o projetista, “tudo depende da coloração e do tratamento que o material recebe”. Por isso, quem pretende ter em casa um material que não esquente muito deve optar por tonalidades mais claras e avisar o fornecedor desde o inicio do projeto, a fim de que ele estude o melhor tratamento a ser dado a madeira.

    Antigamente, era muito utilizado o verniz brilhante, que infelizmente esquenta muito sob a incidência da luz solar. De um tempos para cá, os projetistas começaram a usar a madeira (tratada) “nua e crua”. A decoradora Zélia Fachada concorda com a desvantagem do verniz e acrescenta ainda que “alem de tudo, para manter o brilho constante, a manutenção não e fácil – devem ser feitas de duas a três aplicações ao ano”.

    Características
    O deck e formado por um sarrafo de 10 cm de largura, sendo que seus lados são boleados, evitando qualquer tipo de acidente. São utilizados demais em pisos ao redor de piscinas, razão pelo nome de “Deck de Piscina”, hoje em dia esta havendo um aproveitamento melhor dessas tabuas, tais como em mezaninos, portões, decks em geral e seu valor comercial e bem menor que do assoalho

    Nenhum produto se compara a um deck de madeira, quer pela sua utilidade, pela ampliação de espaços e beleza que acrescenta. Para os adultos oferece um espaço ao ar livre para o lazer, tomar sol, churrasco e refeições, e para as crianças uma excelente e segura área externa para brincadeiras. São pecas moduláveis, com dimensões de 50 x 50 cm.

    TRATAMENTO DA MADEIRA
    Produzidos com madeira de reflorestamento, e um recurso natural e ecologicamente correto. São tratados contra o apodrecimento e ao ataque de fungos e insetos. Sendo impregnadas a vácuo e pressão, com um composto químico especialmente desenvolvido para conferir durabilidade as madeiras, recebendo um tratamento especial chamado de autoclave, que consiste em retirar toda a água da madeira, e injetar produtos fungicidas e inseticidas. O processo torna imune aos cupins e ao apodrecimento, com garantia de uso, que supera as tradicionais madeiras.

    Os decks são utilizados em terraços, varandas, sacadas, caminhos, piscinas, coberturas e churrasqueiras. Possui fácil montagem, não requer mão de obra especializada, aplicável diretamente sobre pisos, terra ou gramados.

    São tratados com stain, um impregnante que penetra nas fibras da madeira sem formar película superficial, portanto não trinca e dispensa a raspagem na manutenção. Com a ação fungicida e inseticida, protegem a superfície da madeira contra o ataque de fungos, mofos, cupins e brocas. Repelente a água, proporciona maior proteção contra a chuva e o sol, podendo ser usado em ambientes internos e externos. Deve ser renovado a cada dois anos, em locais de intensa agressão por intempéries.

    FONTE: REVISTA DA MADEIRA – Wood Magazine; edição comemorativa; número 100; ano 17; páginas 22 e 23.

  • Tratamento de madeira de reflorestamento em autoclave

    A preservação de madeiras, da forma como ela é praticada hoje, consiste da impregnação da madeira com substâncias tóxicas aos organismos xilófagos, a fim de que estes não possam mais utilizar como alimento para sua sobrevivência e multiplicação.

    Entretanto, até hoje, não se descobriu um preservativo para madeira que seja altamente tóxico aos organismos xilófagos e completamente inócuos para os outros animais. As substâncias de baixa toxidez aos animais de sangue quente, apresentam também baixa eficiência como preservativos para a madeira e as que apresentam boa eficiência como preservativos, apresentam também um certo grau de toxidez ao ser humano.

    O preservativo deve apresentar um compromisso entre eficiência e segurança. Ele deve ser eficiente mas, ao mesmo tempo, deve apresentar menor risco possível para quem o manipula.

    Os preservativos CCA são uma família de produtos que apresentam um compromisso satisfatório entre eficiência, durabilidade e segurança e, por essa razão, é hoje o preservativo para madeira mais utilizado no mundo.

    Nos dias atuais, há uma preocupação cada vez maior com o risco que a preservação de madeiras possa representar. Com freqüência, temos sido inquiridos sobre os perigos que os preservativos e as madeiras tratadas com o mesmo poderiam representar para quem os utiliza.

    Os CCA´s são preservativos hidrossolúveis que, quando aplicados á madeira, reagem, tornando-se virtualmente insolúveis. Aplicados � madeira, protegem-na contra o apodrecimento por fungos, ataque por insetos (cupins ou besouros), ou por furadores marinhos (moluscos e crustáceos). São indicados para tratamento de madeira para uma grande variedade de usos, incluindo dormentes, postes, mourões, construções residenciais e comerciais, estacas e outros.

    Alta eficiência contra os organismos deterioradores de madeira
    Possui propriedade de manter a madeira limpa e seca, sendo perfeitamente compatível com colas e acabamentos. Não exala cheiro e empresta á madeira tratada, uma cor verde oliva que esmaece com o tempo.

    Há basicamente três tipos de CCA, sendo que a diferença entre um e o outro tipo é apenas a proporção em que os compostos de cobre, cromo e arsênio estão contidos na formulação.

    Sua fabricação no Brasil é regida pela norma NBR – 8456. a formulação mais comumente utilizada no Brasil é o tipo C.

    Os CCA´s pelo fato de reagirem muito rapidamente com a madeira logo após a impregnação, são indicados somente para tratamento pelo processo de Vácuo – pressão em auto-clave (célula cheia). Essa fixação muito alta e muito rápida, oferece as vantagens de garantir uma permanência longa e eficaz do preservativo na madeira, e de evitar os problemas de poluição ambiental e de contaminação de pessoas ou animais que mantêm contato freqüente com ela.

    Levando-se em consideração que ainda não se descobriu um preservativo para madeira que seja perfeitamente seguro para o homem e altamente efetivo contra a deterioração biológica, os CCA´s são preservativos que melhor se aproximam de um compromisso entre eficiência, segurança e custo e beneficio, entre as opções hoje existentes.

    A impregnação da madeira com CCA deve-se efetuar exclusivamente por processos a pressão e de célula cheia. A usina de tratamento a pressão com CCA, no que diz a respeito á segurança e á prevenção de poluição, devem ser um circuito industrial fechado, onde nada é descartado, e tudo que pode ser é reaproveitado. Suas partes e componentes devem ser mantidos em boas condições, de forma a evitar vazamento ou derramamento do produto e suas soluções.

    Na usina, é ainda importante, evitar qualquer possibilidade de contaminação dos depósitos de água com o preservativo ou com a solução preservativa. Para evitar essas contaminações, as seguintes medidas são muito importantes:

    As tubulações de água e solução preservativas devem ser completamente independentes.
    As tubulações de água que abastecem os tanques de solução preservativa, nunca devem entrar no tanque por baixo, e sim por cima. A água deve sempre derramar no tanque, de forma a não haver contato da solução preservativa com esta e no tanque deve sempre haver um “ladrão”, de forma a evitar que o nível de solução atinja o nível da tubulação de água.
    Nas usinas que trabalham com bomba a vácuo de anel líquido, a água de arrefecimento da bomba nunca deve ser devolvida ao tanque de água potável. Deve, de preferência, haver um tanque de água para arrefecimento, de forma que a água seja recirculada. Quando esta estiver demasiadamente contaminada, a mesma deve ser utilizada para preparar solução preservativa nova e outra água limpa deve ser colocada no tanque. A água contaminada nunca deve ser descartada.

    Operação do tratamento
    Na diluição do preservativo – preparo da solução preservativa, no manuseio da solução preservativa ou da madeira preservada, há algumas situações em que pode haver contaminação com o preservativo. Nesses casos, é preciso a utilização de EPI – Equipamento de Proteção Individual adequado.

    A embalagem do preservativo, após sua diluição deve ser lavada com água e as águas da lavagem devem ser utilizadas na diluição do preservativo.

    No final do processo de tratamento, a execução de um período de vácuo de 10 a 20 minutos, elimine os respingos de solução preservativa pelo pátio. Esse vácuo final, entretanto, não deve ser demasiadamente prolongado para não provocar reações de precipitação na solução preservativa. Essa solução que penetra na madeira e é puxada de volta pelo vácuo, contaminam a solução do tanque com compostos orgânicos redutores da madeira. Esses compostos orgânicos redutores reagem com o anion cromato do preservativo que é oxidante, resultando em uma reação de precipitação semelhante ás reações de fixação que serão abordadas no item seguinte desse trabalho.

    Os preservativos CCA são aplicados á madeira em uma solução aquosa. Entretanto, nenhum outro preservativo, mesmo os oleosos e óleos solúveis, apresentam uma permanência tão longa dentro da madeira como os CCA´s. é que logo depois de aplicado á madeira, seus componentes químicos reagem os da madeira, formando compostos virtualmente insolúveis. Essas reações são chamadas genericamente de Reações de Fixação.

    Essas reações começam a ocorrer logo após o contato da solução preservativa com a madeira. O componente do preservativo que reage primeiro é o composto de cobre que, três minutos após o contato, já começa a se fixar por reações iônicas do tipo ácido acético + hidróxido cúprico = Acetato de Cobre + Água. O acetato de cobre é insolúvel em água.

    Ocorrem também reações de oxirredução entre os compostos de cromo que são oxidantes e compostos orgânicos redutores existentes na madeira.

    Essas reações iniciam-se logo após o tratamento e demoram tempos variáveis para se completar e sua velocidade de ocorrência depende basicamente da temperatura. A temperaturas mais altas, essas reações ocorrem mais rapidamente.

    A 10 oC, essas reações se completam em 13 dias, a 25 oC em 3 dias (72 horas) e a 90 oC em duas horas. O período em que essas reações ocorrem é chamado de Fixação Primária.

    Completando o período de fixação, o CCA torna-se virtualmente insolúvel em água e sua permanência dentro da madeira torna-se muito alta.

    O QUE É CCA
    A sigla CCA significa “Chromated Copper Arsenate”. Em português ficou “Arseniato de Cobre Cromatado”. Porém a sigla CCA permaneceu e tornou-se popular.

    O registro mais antigo que possuímos sobre o uso de CCA como preservativo para madeira é o pedido de patente n. 720.248, colocado na Índia em 27 de Abril de 1933, por Sonti Kamesan. Em 1945, o Forest Products Laboratory dos EUA, já possuía ensaios de campo com o CCA – A colocados em Saucier, Miss. Esses ensaios ate hoje encontram-se em andamento.

    Hoje os CCA´s são consumidos em larga escala por um grande número de países. É sem sombra de dúvidas, o preservativo responsável pelo maior volume de madeira tratada, produzida atualmente no mundo inteiro.

    FONTE: GEISSE, Matias E. (Commerce Director TWB – Treated Wood Brazil); apud REVISTA DA MADEIRA – Wood Magazine; Edição comemorativa exemplar número 100; ano 17; páginas 96 á 99.

  • O Brilho do Eucalipto Grandis

    O brilho do Eucalipto Grandis é como o brilho da madeira nobre de antigamente, quando se usavam espécies nativas de Cedro Rosa ou Mogno na elaboração de móveis de fino acabamento, que não envelhece, sobre a ação do tempo e da luz solar, causadora da oxidação na madeira e que causam o seu escurecimento e perda de brilho.

    A catedral da cidade de Telêmaco Borba, no Paraná, é um bom exemplo da aplicação do Eucalipto Grandis na elaboração de móveis envernizados, em tom brilhante, desde o altar, as cadeiras e os bancos para os fiéis se sentarem. A igreja é de uma construção diferenciada, projetada pelo engenheiro civil Oscar Hei Neto e que foi toda decorada internamente e mobiliada com móveis feitos de madeira de Eucalipto Grandis. Desde a produção nos ano de 2005, até os dias atuais, os móveis continuam com o brilho original do Eucalipto, encantando, quem nela entra pela primeira vez, proporcionado pela harmonia do ambiente e enchendo de orgulho os cidadãos em seu momento de reflexa religiosa.


    O brilho do Eucalipto Grandis. Revista da Madeira, Curitiba, n. 123, p. 78, abril. 2010.

  • Manutenção constante garante longa vida à madeira

    É muito raro uma casa ou apartamento que não tenha itens de madeira, como móveis, pisos, esquadrias, entre outros. Muito valorizada, ela torna os ambientes acolhedores e bonitos, podendo ser usada em diversos estilos, tanto em ambientes externos como internos. Tanta versatilidade, porém, exige uma atenção especial com a manutenção. Por ser um produto natural, ao ser exposta às alterações climáticas, a madeira pode sofrer alterações, como pequenas trincas e também aspereza.
            No caso dos móveis, portas e esquadrias, por exemplo, a exposição por longos períodos a situações de calor, frio, umidade e ar seco poderá causar um desequilíbrio no comportamento da madeira: o contato excessivo com o sol provoca o ressecamento e rachaduras em virtude dos seus raios ultravioletas, e com a água pode causar expansão, desalinhando o encontro de peças, e apodrecimento. Com o tempo, também a madeira passa a adquirir uma tonalidade acinzentada, alterando a cor original.
            O uso da madeira para composição de ambientes externos e internos é fundamental se a idéia é ter espaços confortáveis e com detalhes mais rústicos, mas requer manutenção principalmente no cuidado com os fungos e cupins. Isso acontece porque, devido à formação e alastramento das colônias de insetos, a infestação pode comprometer todo o mobiliário, portas e janelas da casa.
            De um modo geral, a principal forma de conservar e manter a boa aparência desse material, além de prolongar suas principais propriedades, é cuidar de sua camada de proteção e acabamento, seja essa camada verniz, selador, resina, laca, pintura, cera ou parafina.

    Algumas dicas de como cuidar de suas peças de madeira e deixá-las sempre bem conservadas e bonitas:

    - Proteção: Sempre que possível recolhê-las para locais protegidos do sol e da chuva. Para mantê-las bonitas, recomenda-se aplicar impregnante stain após os primeiros seis meses de uso e depois anualmente.
    -  Água: Em caso de contato excessivo com a água, a madeira pode se expandir, desalinhando o encontro de peças com fibras de sentido oposto, causando dificuldades de articulação.
    -  Limo: Em ambiente externo o ideal é limpar constantemente (uma vez por quinzena, pelo menos) para tirar o “limo” formado pela junção de poeira e água. Além desse limo, a poluição acumulada configura outro grande problema, já que ambos interagem de forma negativa com o verniz, promovendo um desgaste prematuro do acabamento.
    -  Decomposição: Sem acabamento, a madeira volta ao seu processo de decomposição natural. O acúmulo visível num primeiro momento, passa a impressão de abandono, e num segundo momento, quando a madeira já está sem a proteção, os danos vão de desbotamento e manchas, até trincas e rachaduras.
    -  Produtos: Limpe sempre sem raspar, usando panos e produtos de limpeza que não agridam a madeira. Nunca use produtos à base de petróleo, cloro, solventes ou álcool.
    -  Verniz: É recomendado reaplicar a cada dois anos a camada de verniz (diversos fatores podem alterar esse tempo). Com o verniz fraco, a madeira retoma seu processo de decomposição, descolore, absorve água e sujeira, podendo ainda trincar e rachar.
    -  Insetos: Para desaparecer com pequenos buracos feitos por insetos, utilizam-se palitos ou pequenas lascas de madeira para tampá-los. Para isso aplique cola dentro dos buracos, a seguir enfie os palitos com força e deixe secar. Depois de seco, corte os palitos junto à tábua e lixe com lixa fina para acertar.
    -  Fungos: Os ataques de fungos, que causam o apodrecimento da madeira, são o resultado da permanência no sol ou na chuva. Ficar ao tempo é o principal fator para o aparecimento de grandes quantidades de fungos. Alta umidade e calor também colaboram. A melhor solução para madeiras expostas são os vernizes. A manutenção também é extremamente fácil, uma vez que se aplica uma nova camada sobre a anterior. Em geral já com inseticidas e fungicidas.
    -  Brocas: Podem atacar todo o tipo de objeto em madeira e papel, fazendo verdadeiras avenidas no interior de móveis ou livros. O aparecimento de quantidade de “areia” e “poeira” (de madeira) junto ao objeto infestado é indicação de que elas já estão presentes.
    -  Cupins: Se eles se instalam no interior da madeira seca, uma das poucas maneiras de saber que o cupim está lá é pelo aparecimento de camada de pó de madeira (parecido com areia) no chão embaixo do local de infestação. Na madeira úmida ou molhada (enterrada) o cupim é mais difícil de ser descoberto. Afinal tanto podem ter seu ninho feito “com terra” acima como abaixo do piso. Mas uma maneira eficaz é verificar se existem sinais de terra “fresca”, em armários de áreas úmidas como na cozinha, banheiro, área de serviço, caixas de interruptores ou tomadas, rodapés, etc. Se for descoberta uma infestação, e a injeção do produto não for possível no local, é melhor se aconselhar com um profissional da área.

    FONTE: Jornal Diário Catarinense – Manutenção constante garante longa vida à madeira; 23 out. 2011; página 13.